Oitavo Contraponto: Da Capo.

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Mensagem por Zubrycky em Ter Out 23, 2012 9:41 pm

Saudações a todos!

Este Contraponto, admito, demorou mais tempo do que eu previra. Na verdade, ao longo destes dias, ele estava sendo composto em minha mente, dentro de um ritmo ditado por ele mesmo.

"Sobre o quê escrever aqui?" foi a pergunta que mais me fiz. E a resposta estava, vejo agora, bem diante de mim.

Eu a descobri treinando com meu contrabaixo enquanto tocava uma escala de Do maior no início dos estudos do dia, ao som de um metrônomo e sem um amplificador (Nunca treino com um, prefiro assim).

Em nosso sistema musical, as notas estão separadas entre si por semitons. Se tocarmos um Do e começarmos a tocar uma escala ascendente (Do grave para o agudo) de Do maior, veremos que as demais notas se tornam diferentes do primeiro Do tocado...

Essa situação termina ao chegarmos na oitava nota daquela escala, que também é um Do. Mais agudo, mas ainda assim um Do.

Inspirado pelas oitavas, pensando nessa situação musical de notas que se repetem de formas diferentes e pensando também nas diversas situações que vão se repetindo na minha vida cheguei ao cerne deste Contraponto.

Da Capo. Em italiano, do início... Esta foi a resposta que me foi dada pelas oitavas.

Sendo este o Oitavo Contraponto, decidi retomar o tema abordado no Primeiro Contraponto.: A Paixão pela Música.

Mas assim como uma oitava é uma repetição em outra frequência de uma nota e não a mesma nota repetida em sua frequência original, este Contraponto falará deste tema de uma outra forma, de um modo diferente do que já foi dito... Afinal de contas, o intuito aqui é ser uma oitava e não um uníssono.

Uma vez, antes de ser músico, li em algum lugar, uma frase do Sting na qual ele dizia (Não me lembro das palavras exatas) que ele não conseguia mais ouvir música pelo prazer de ouvir música porque ele não conseguia deixar de analisar tecnicamente o que ele escutava.

Mesmo que eu não me lembre mais das palavras exatas dele, essa frase do Sting, lida por mim por acaso, sempre me acompanhou em meu caminho musical.

Repetindo (Este artigo é uma oitava, afinal de contas) aqui o que disse no Primeiro Contraponto: Penso que um dos maiores perigos do caminho musical é nos esquecermos da paixão pela música, daquele entusiasmo infantil, feliz e febril, daquela vibração d'alma que a música nos trouxe quando a conhecemos pela primeira vez.

É muito fácil nos esquecermos dessa Paixão. É muito fácil nos embotarmos no meio de tanta técnica. É muito fácil perder o entusiasmo no meio das agruras da vida de músico, dos ensaios ruins, das decepções com as pessoas, dos cachês magros e/ou inexistentes, da indiferença do público, da desvalorização da nossa carreira.

Notem que eu me incluo no parágrafo acima. Pessoalmente, nunca cheguei a esse ponto, mas, alertado pela frase do Sting, sempre soube desse perigo e talvez por saber dele eu nunca tenha chegado a esse ponto.

Mas o crédito não é todo do Sting, admito. Eu desenvolvi um truque que manteve a minha paixão viva, renovada e intacta por todos esses anos todos, um truque que compartilho com vocês, prezados visitantes.

Eu tenho uma arma secreta. Uma arma óbvia, tão óbvia que muitos darão risada do que direi. Mas aos que rirem, em minha defesa direi: Comigo essa arma funcionou.

E qual é o truque?

Simples: Nunca se esqueça de ouvir, pelo menos de vez em quando, o seu disco favorito (Aquele que te entusiasmou quando você decidiu ser músico) e o escute pelo prazer de escutá-lo.

Comigo, este disco (E aqui vai, na melhor tradição de uma oitava, mais uma repetição do Primeiro Contraponto) é o primeiro disco do Black Sabbath. Este disco não é o meu favorito da era Ozzy (Atualmente, esse posto é ocupado pelo Never Say Die), mas esse é o disco que me fez querer ser músico.

Quando preciso recarregar as minhas baterias de paixão musical, é a esse disco que recorro. Esse disco é tão especial para mim que o tenho 6 vezes: Duas em cd (Uma edição da Castle e a edição deluxe), três em vinil (Um vinil antigo nacional, um vinil antigo americano - Nessas duas edições a primeira faixa do lado b é diferente* - e uma edição comemorativa limitada e numerada** com vinil de 180 gramas, capa dupla, pôster e uma reedição do primeiro single da banda***) e uma no computador.

Do tritono de Black Sabbath ao final jazzístico de Wicked World, passando pela gaita e pela bateria ensandecida de The Wizard, pelo blues de Behind the Wall of Sleep, pelo imortal solo de baixo de Geezer Butler, por N.I.B. (Canção que fala sobre Lúcifer se apaixonando por uma mortal), pelo suíngue de Evil Woman, pela morbidez de Sleeping Village e pela longa viagem de Warning****, tudo, tudo nesse disco, me desarma e me faz escutar música simplesmente pelo prazer de escutar.

Se eu fosse um Popeye musical, poderia dizer tranquilamente que o primeiro disco do Black Sabbath é o meu espinafre.

Sempre me sinto melhor e mais vivo musicalmente após escutá-lo.

E assim, após revelar este meu pequeno truque para manter viva e renovada a Paixão pela Música, despeço-me com a recomendação: Tenham consigo o seu disco favorito sempre por perto e o escutem de vez em quando, apenas pelo prazer de escutá-lo.

Da Capo. De volta ao início, sempre... Pois, afinal de contas, todos nós fomos amantes da música antes de nos tornarmos músicos.

Até o próximo Contraponto!

Post Scriptum: Eis alguns asteriscos.

* Na edição nacional, a primeira faixa do lado b é "Evil Woman (Don't play your games with me)", um cover de uma música composta por uma banda americana chamada Crow. Na edição americana, a primeira faixa do lado b é "Wicked World".

** Apenas 5000 cópias foram feitas.

*** "Evil Woman/Wicked World". Como curiosidade, vale lembrar que a edição japonesa desse primeiro single é "Black Sabbath/ Wicked World".

**** Warning é o segundo e último cover gravado pelo Black Sabbath. Originalmente esta música foi feita pelo Ansley Dunbar’s Retaliation.
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Mensagem por Stormbringer em Sab Nov 24, 2018 10:09 am

RISE


Rapaz, ha uns messes estava falando com um amigo(baterista da Deep Black Horizon) sobre um assunto parecido.
"Como a música perde a mágica, tal qual a mágica em si, quando você sabe como ela é feita"
Como aquele amontoado magico de sons fazem uma música, "como diabos conseguem fazer a musica crescer nessa Stairway to Heaven" e coisas desse tipo.
Foi justamente quando decidimos colocar "Children of The Sea" no repertório, e eu disse: "po, o baixo é muito difícil, não sei se estou apto". Mas sentei pra ouvir com ouvido técnico, sem a paixão que sempre tive. E, pra minha surpresa, eu soube tocar a música depois de 10 minutos.

Mas ai eu disse pra mim mesmo: a mágica permanece, como algo tão simples soa tão lindo?
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Mensagem por Zubrycky em Sex Dez 28, 2018 10:29 pm

Stormbringer escreveu:RISE


Rapaz, ha uns messes estava falando com um amigo(baterista da Deep Black Horizon) sobre um assunto parecido.
"Como a música perde a mágica, tal qual a mágica em si, quando você sabe como ela é feita"
Como aquele amontoado magico de sons fazem uma música, "como diabos conseguem fazer a musica crescer nessa Stairway to Heaven" e coisas desse tipo.
Foi justamente quando decidimos colocar "Children of The Sea" no repertório, e eu disse: "po, o baixo é muito difícil, não sei se estou apto". Mas sentei pra ouvir com ouvido técnico, sem a paixão que sempre tive. E, pra minha surpresa, eu soube tocar a música depois de 10 minutos.

Mas ai eu disse pra mim mesmo: a mágica permanece, como algo tão simples soa tão lindo?

Belas observações, meu caro.

Respondendo à sua pergunta, para mim, isso é mágica, simplesmente isso.

E por falar em música e mágica (assunto que é um de meus hobbies), essas duas coisas têm muito em comum porque apenas saber o truque não faz de uma pessoa um músico ou um mágico. Saber apresentar o truque é tão importante quanto sabê-lo.  
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