Sexto Contracanto: Uma história (real) de Natal (E uma canção inspirada por ela).

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Sexto Contracanto: Uma história (real) de Natal (E uma canção inspirada por ela).

Mensagem por Zubrycky em Qua Dez 25, 2013 3:17 pm

Olá a todos!

Como hoje é Dia de Natal, gostaria de deixar aqui uma história real que aconteceu no Natal de 1914.

"Não há a menor dúvida de que realmente aconteceu – a trégua de Natal não oficial de 1914 – mas até hoje, muitas pessoas não estão totalmente a par dos detalhes e extensão deste notável hiato ocorrido na primeira guerra mundial, durante aquelas poucas horas do quinto mês do primeiro ano de conflito, quando soldados saíram dos dois lados das trincheiras para se confraternizar durante o Natal – e depois foram repreendidos e castigados por seus superiores por “crime” de lesa-pátria.


Embora existam muitas histórias individuais acerca de como o Natal não oficial foi iniciado em vários setores, para a maior parte ele foi iniciado pelas tropas alemãs, estacionadas defronte às forças britânicas onde uma distância relativamente curta separava as trincheiras ao longo da “Terra de Ninguém”.

Muitos soldados alemães tinham  - como era seu costume na véspera de Natal –  começado a montar árvores de Natal, adornadas com velas acesas – com a exceção que, desta vez, foram posicionadas ao longo das trincheiras do Fronte Oeste.

Inicialmente surpresos e, então, desconfiados, os observadores britânicos reportaram a existência delas para os oficiais superiores. A ordem recebida foi que eles não deveriam atirar, mas, em vez disso, observar cuidadosamente as ações dos alemães.

A seguir foram ouvidos cânticos de Natal, cantados em alemão. Os ingleses responderam, em alguns lugares, com seus próprios cânticos. Aqueles soldados alemães que falavam inglês então gritaram votos de Feliz Natal para “Tommy” (o nome popular dos alemães para o soldado britânico); saudações similares foram retribuídas da mesma maneira para “Fritz”.



Em algumas áreas, soldados alemães convidaram “Tommy” para avançar pela “Terra de Ninguém” e visitar os mesmos oponentes alemães que eles estavam tão absortos em matar poucas horas antes. Edward Hulse, um tenente dos Scots Guards, com 25 anos de idade, escreveu no diário de guerra do seu batalhão: “Nós iniciamos conversações com os alemães, que estavam ansiosos para conseguir um armistício durante o Natal. Um batedor chamado F. Murker foi ao encontro de uma patrulha alemã e recebeu uma garrafa de uísque e alguns cigarros e uma mensagem foi enviada por ele, dizendo que se nós não atirássemos neles, eles não atirariam em nós”. Conseqüentemente, as armas daquele setor ficaram silenciosas aquela noite.


A notícia se espalha e a reação do Alto Comando

Histórias começaram a se espalhar sobre visitas trocadas entre as forças aliadas (incluindo algumas francesas e belgas) e os inimigos alemães. Tais visitas não estavam restritas aos soldados rasos somente: em algumas ocasiões, o contato inicial foi feito entre oficiais, que definiram em conjunto os termos da trégua, acrescentando somente o quanto seus homens poderiam avançar em direção às linhas inimigas.

Estes termos normalmente permitiam o enterro das tropas de cada lado que jaziam ao longo da “Terra de Ninguém”, alguns mortos há apenas uns dias, enquanto outros haviam esperado meses pela dignidade de um funeral – todos, porém, tiveram que ser deixados onde haviam caído, pois metralhadoras cobriam o local onde eles jaziam na desolação entre as trincheiras opostas.

Naturalmente, homens das equipes encarregadas dos funerais entraram em contato com os membros das equipes similares do inimigo quando, então, conversas foram entabuladas e cigarros trocados. Cartas foram encaminhadas para serem entregues para famílias ou amigos vivendo em cidades ou vilarejos beligerantes.

O mais notável de tudo foi, talvez, a história da partida de futebol entre o regimento inglês de Bedfordshire e as tropas alemãs (alegadamente vencido por 3-2 pelos últimos). O jogo foi interrompido quando a bola foi murchada após atingir um emaranhado de arame farpado. Em muitos setores a trégua durou até a meia-noite de Natal; enquanto em outros durou até o primeiro dia do ano seguinte.

As reações à trégua de Natal, provenientes de várias fontes, vieram em várias formas. Os Governos aliados e o alto-comando militar reagiram com indignação (principalmente entre os franceses). O Comandante-Chefe britânico, Sir John French, possivelmente tinha previsto a suspensão das hostilidades no Natal quando emitiu uma ordem antecipada alertando suas forças para um provável aumento da atividade alemã durante o Natal: ele, portanto, instruiu seus homens para redobrar o estado de alerta durante esta época.

Após a trégua, ele escreveu severamente: “Eu emiti ordens imediatas para prevenir qualquer recorrência deste tipo de conduta e convoquei os comandantes locais para prestarem contas, o que resultou em punições severas“.

PAUL MCCARTNEY SE INSPIRA NA HISTÓRIA DA TRÉGUA DE NATAL E REALIZA SEU VÍDEO CLIPE




Paul McCartney lançou em 1983 o álbum, ‘Pipes Of Peace’. O tema da faixa-título foi inspirado pela leitura de um poema de autoria do indiano Rabindranath Tagore, vencedor do prêmio Nobel de Literatura em 1913. A frase “in love all of life’s contraditions dissolve and disappear” (com amor, todas as contradições da vida dissolvem-se e desaparecem) é o mote principal da canção título. O tema “paz” serviria como contraponto à “guerra”, utilizado em seu trabalho anterior, ‘Tug Of War’.

Aproveitando a história do cessar-fogo de Natal de 1914, que tinha tudo a ver com o tema título do álbum, Paul de forma genial aprova o roteiro do vídeo clipe para ‘Pipes of Peace’.

O vídeo foi filmado em dois dias na localidade de Chobham Common em Surrey, Inglaterra, e contou com cem figurantes e três equipes de filmagem, produzido por Hugh Symonds e dirigido por Keith MacMillan.




Paul utilizando efeitos especiais desempenhou, simultaneamente, o papel dos oficiais alemão e inglês. O armistício apesar de contado em poucos minutos sintetiza muito bem o que ocorreu no Natal de 1914 em pleno conflito mundial.

Foi concluído em 12 de Dezembro de 1983 e ganhou o prêmio de ‘Melhor Vídeo’ no British Rock & Pop Awards em 21 de fevereiro de 1984. Paul estava de férias com a família e gravou um vídeo de agradecimento que foi exibido na BBC na ocasião da premiação, portanto, quem recebeu o prêmio em mãos foi o diretor Keith MacMillan".

Fonte: http://beatlescollege.wordpress.com/2011/12/19/a-historia-interessante-do-video-de-pipes-of-peace/


E aqui está, para a apreciação de vocês, o vídeo de "Pipes of Peace".

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