Enterro intelectual de meu curso universitário

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Mensagem por Laysson em Ter Maio 20, 2014 11:57 pm

Ando meio Verde nos últimos dias (quem acompanha blogs de automobilismo, conhece). Desde que eu passei a divulgar o show que minha D.D.O. fez outro dia, tenho escrito compulsivamente. Não sei se isso é bom, mas sei que nem vejo o tempo passar na hora de discutir os rumos das coisas e tamborilar meu teclado. hahahahahaha

Um desses eu quero postar aqui, pois vejo uma pá de gente esclarecida e quero ouvir opiniões e dividir histórias com a galera. Descobri que isso também me faz um bem danado, né? Enfim, a visita de uma antiga professora no meu serviço abriu uma ferida que eu fechei de forma mal amarrada há uns 8 ou 9 anos atrás. Passei a pensar sobre isso e... bom, seguem aí minhas tortas palavras de egresso:

Passei na UFG (Universidade Federal de Goiás) hoje e senti falta da mesma coisa que sentia falta na minha época de estudante universitário: o ócio criativo/produtivo.

Pouquíssimos alunos me saltaram aos olhos fazendo isso. Muita gente vivendo sua vida, curtindo sua farra, sua maconha, seus duendes e afins.

Naquela época, eu sofria por entender que a ciência tinha se tornado um clube nefasto. Na minha visão, o principal objetivo era saciar o ego inflado e participar da comunidade científica publicando e movimentando congressos.

Além disso eu pensava: "Que p**** de clubinho fechado é esse em que tudo rola na base da generosidade e sociabilidade seletivas onde um cara só pode ter opinião depois da livre docência; já que antes, tudo o que ele faz é ligar e fazer coletânea de elucubrações sobre os autores que lhe fomentaram a pesquisa."

Então, eu sentia que tudo ali girava em torno do narcisismo intelectual. Pensava eu: "tudo isso inflava egos elásticos o suficiente pra abrigar uma cidade". Eu adorava conversar com meus colegas de outras ciências no boteco e ouvir os termos "intelectual de prefácio" e "filósofo de mesa de bar". Era uma piada interna que nos faziam rir de nós mesmos e do "eles" de forma quase que desenfreada.

Indo mais longe, eu pensava: "Que m$%& de faculdade pública é essa que não produz p**** nenhuma que gere contrapartida social? Pagamos impostos, mas elegemos um gerente pra esses impostos.".

Ou seja, não posso sentar no meio da sala de aula e cagar lá porque to pagando.

No presente da época contextualizei: "Usufruo de um benefício público, analiso uma ravina que cerceou o ir e vir de dezenas de famílias, sou bem recebido, converso olhando no olho e tenho que sentenciar que tamos lá pra ganhar nota e pouco nos fodemos pros problemas da sociedade". Deus me ajudou e um amigo deu a má noticia. Imagine o parafuso que entrei ao ver o sorriso se congelar dentre uma galera que nos recebeu com respeito, sorriso, educação, gentileza, cordialidade e perguntou:
- vocês estão aqui pra nos ajudar a resolver nosso problema?

Ledo engano!

Pior!

Eu era um p#$% de um cara imaturo. Aquilo me martelou até o dia que minha carta de alforria saiu e eu abandonei a faculdade.

Hoje consigo entender que poderia ter dado meu trabalho a eles e falado: "vão na câmara e pressionem aqueles filhas da p#$% até que a companhia de urbanização resolva um problema tão fácil de resolver quanto esse."

Todo mundo erra, e eu errei naquela época.

Hoje, vi uma amiga. Era pra ter ido tirar os pontos de minha verruga. Como a fila era imensa - meu médico consegue ser mais enrolado que eu e uns amigos (sem referências aos presentes) somados. Conversa vai, conversa vem, decidimos que eu iria pro samambaia. Resolvi conhecer a faculdade de 11 anos depois.

Fiquei com a impressão de que nada mudou. E sua decepção com o mundo da academia, me deixa isso mais claro.

Obviamente, 11 anos são o suficiente pra uma ou duas novas matrizes curriculares diferentes. Então, no mobral: matriz diferente, faculdade diferente.

Hoje eu senti que a frustração por ganhar pouco não é tão grande. Talvez lide ainda melhor no futuro com isso. Mas tirei um p#$% peso das costas por não ter colado grau com grandes amigos que ali me acompanharam. Existem muitas amizades que fiz lá e guardo com carinho.

E bom, a palavrinha que queria achar pra descrever tudo isso que senti um pouco antes é:

VAIDADE

Ando como um mendigo hoje. E sei o quanto me entristecia a interpretação de que a sociedade acadêmica girava ao redor dessa palavra tão abstrata e obscena.

Desculpem a quantidade de verbetes vociferadas hoje. Foi muito bom ter dito isso.

Ah, estudei na UEG (Estadual) e não na UFG (Federal). Muito embora nos meus tempos de DCE, CA e DA, houvesse uma integração entre as diferentes escolas mencionadas, sinto que a música me aspirou de uma forma voraz dali e me levou pra algo diferente.

Meu curso foi iniciado há 11 anos e abandonado há 8. E a academia hoje, como será, hein? E antes, como era?

Contem aí galera. Ando pensando tanto que de enterro, virou tratamento. Me parece uma questão de honra terminar aquilo. O segundo texto que postei no meu facebook pessoal e postarei aqui depois, dá mais ou menos a entender o porquê.
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