Axé Music

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Mensagem por allexcosta em Sab Maio 20, 2017 7:20 pm

Parece que há uma disparidade enorme entre o que muita gente pensa que é axé music comparado ao que realmente é...

Convido os srs e sras a ouvirem um disco que, na minha opinião, representa bem esse movimento e, talvez assim, formarem uma opinião mais educada sobre o assunto:



Última edição por allexcosta em Sab Maio 20, 2017 7:25 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Axé Music

Mensagem por joabi em Sab Maio 20, 2017 7:25 pm


^ Um dos melhores discos brasileiros.

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Re: Axé Music

Mensagem por Coder em Sab Maio 20, 2017 7:38 pm

Axé é derivado do Merengue?

São ritmos que todo mundo quer sair dançando... Não vejo isso em mais nenhum lugar do mundo...
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Re: Axé Music

Mensagem por allexcosta em Sab Maio 20, 2017 8:12 pm

Coder escreveu:Axé é derivado do Merengue?

Não, não é... Mas tem o merengue como uma de suas influências...

O Axé mistura tudo que havia disponível na Bahia desde o fim dos anos 70, a saber:

- O frevo, que foi influência mor do carnaval baiano por uns 40 anos.
- O rock, que foi muito importante em criar o som do maior grupo de frevo baiano da história, o trio elétrico Armandinho, Dodô e Osmar.
- Ritmos do recôncavo baiano, como o samba de roda, que tem origem nos terreiros de candomblé e que virou música de rua das cidades da região desde o século XVII, o samba santamarense, entre outros.
- O Ijexá, que também tem origem no candomblé.
- Ritmos do caribe, como soca, merengue, bolero, plena, rumba, mambo, reggae, zouk, etc...
- Ritmos do norte do Brasil, como as guitarradas e o carimbó.
- Ritmos específicos da cidade de Salvador, como samba de praia, tamanquinho, subir ladeira, samba-reggae e alguns outros estilos de bandas locais, como Timbalada, Ilê Ayé, etc...
- Ritmos nordestinos, como forró, galope, arrasta-pé, xote, maxixe, maracatu, lundu, coco, repente, etc...
- Estilos consagrados internacionalmente, como bossa-nova, jazz, pop, eletrônica, etc...
- Estilos africanos, como kuduro e african pop.

O disco acima passeia por uns 70 ou 80% dos estilos que citei. Outras bandas focam mais em um ou outro estilo específico.
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Re: Axé Music

Mensagem por Claudio Mengarda em Dom Maio 21, 2017 10:12 am

Nunca imaginei que o Axé era tão complexo haha Pra nós aqui no sul acho que vindo do nordeste já é axé haha
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Re: Axé Music

Mensagem por allexcosta em Dom Maio 21, 2017 10:42 am

Claudio Mengarda escreveu:Nunca imaginei que o Axé era tão complexo haha Pra nós aqui no sul acho que vindo do nordeste já é axé haha

Por isso abri o tópico.

O estilo musical que melhor representa o nordeste é, sem dúvida, o forró. De Minas pra baixo o povo chama qualquer coisa de axé. Até carimbó já vi nego chamando de axé. Aí já é ignorância.

Axé é, na verdade, um grande caldeirão de estilos, mesclados de maneira bem única. O baiano não tem preconceito, se é bom de ouvir e dançar, vamos incorporar. Foi um movimento tão forte que conseguiu quebrar barreiras seculares do RJ e SP, que até os anos 80 jamais permitiriam que artistas do nordeste tivessem tanta expressão nacional. Lembro de uma revista Som Três dos anos 80 que fez uma reportagem sobre as bandas da Bahia e no final dizia "e pasmem, eles gravam tudo por lá mesmo com músicos locais". A idéia de atraso do nordeste ainda era tão arragaida que uma revista de música grande mal concebia a idéia de que uma cidade como Salvador poderia ter um estúdio de gravação profissional e músicos competentes.

Nos anos 90 os carnavais fora de época tomaram conta do Brasil. Bandas da Bahia faziam 25 shows por mês, correndo todo o país. Produtores e empresários da música trabalharam sem descanso para conter esse avanço nordestino, até que a Globo começou a dar atenção extra à parte mais boba do negócio, que nem é axé, mas sim, pagode de bundinha e peitinho. E a percepção da música baiana começou a mudar. Ficou fácil criar um ambiente para empurrar "aquele povo do nordeste" de volta pra seus estados e esse sertanejo bizarro de hoje em dia começou a reinar.

Enfim... São ciclos.
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Re: Axé Music

Mensagem por Claudio Mengarda em Dom Maio 21, 2017 11:11 am

São ciclos, mas acho que o músico nordestino conseguiu arrancar uma boa fatia na miscigenação musical brasileira, afinal, de novembro a fevereiro só da nordeste no Brasil, principalmente aqui na nossa região. Eu penso isso como algo positivo, sendo que por mim, poderia tocar estes estilos o ano todo porque eu gosto bastante.
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Re: Axé Music

Mensagem por Jose-Franco em Dom Maio 21, 2017 12:00 pm

Alex, eu sempre tive essa dúvida em relação ao axé e nunca encontrei uma oportunidade para esclarecer essa questão.

Eu pensava que o axé era o movimento musical originado na Bahia que incorporava vários estilos musicais, indo desde o Luís Caldas até esses pagodes de bundinha que você citou, pra mim tudo era axé. Eu nunca soube realmente qual é a definição correta ou a origem da axé music, e acho que essa é a oportunidade para perguntar... Desculpe se falar alguma asneira, pois minha dúvida é sincera...
Enfim...

Qual foi a origem do movimento musical do axé? Ou como se deu o início desse movimento?

Você disse no outro post que o que o axé é a mistura de tudo que tinha disponível na Bahia na época, eu sinceramente não conheço a maioria dos ritmos que você citou, mas como se diferencia, ou o que diferencia o que é axé do que é outro tipo de música baiana?

Desde já agradeço

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Re: Axé Music

Mensagem por Claudio Mengarda em Dom Maio 21, 2017 12:21 pm

^Boa!
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Re: Axé Music

Mensagem por allexcosta em Dom Maio 21, 2017 12:54 pm

Jose-Franco escreveu:Qual foi a origem do movimento musical do axé? Ou como se deu o início desse movimento?

Ok, é meio complicado, mas vou tentar... É preciso ler e ir clicando nos links pra entender melhor.

Tudo começou nos anos 40 e 50, com a criação do trio elétrico por Dodô e Osmar, que queriam que a música fosse ao povo e não o povo tivesse que ir à música.

Naquela época, não existia um estilo musical realmente baiano de carnaval. A gente meio que imitava o que existia em Pernambuco, o frevo. Só que Dodô e Osmar eram obcecados por instrumentos elétricos e a Bahia não tinha cultura de metais tão forte como Pernambuco. Ao invés dos saxofones, trombones e tuba, Dodô e Osmar comecou a utilizar o pau elétrico (precursor da guitarra baiana) e logo depois a guitarra e o baixo elétricos. Nascia o Frevo Baiano...

https://www.youtube.com/watch?v=wEPJZ4rwQV8

Durante muitos anos, o frevo baiano era instrumental. Havia uma seção de ritmo que ficava no meio do caminhão, com surdos, tarols, etc. e a seção das guitarras, que ia em cima do caminhão, amplificadas por aqueles falantes corneta de antigamente.

Eis que Dodô e Osmar fizeram amizade com Moraes Moreira e tiveram a idéia de aliar o canto ao Frevo Baiano. Morares sempre foi um excelente letrista e muitas músicas antológicas foram criadas nessa época. O frevo baiano ainda dominava...

https://www.youtube.com/watch?v=r9zJuZjeK3o

Com o passar dos anos, surgiram trios concorrentes ao Dodô e Osmar, como o Traz os Montes, o Tapajós e bandas como Chiclete com Banana e Cheiro de Amor... A maioria dos músicos da época meio que imitava o que Dodô e Osmar faziam, mas esses trios novos resolveram mudar pra ver se obtinham um espaço maior no carnaval. Começaram a ouvir e mesclar outros ritmos nordestinos além do frevo, como o galope, o baião, etc...

https://www.youtube.com/watch?v=9l4JsZBjbQw

Luiz Caldas ainda muito jovem, vindo do interior, começou a tocar no Trio Tapajós. Tocava percussão e guitarra, eu acho. Após alguns anos, ele que é muito talentoso e cheio de idéias, decide ir para a carreira solo. Luiz começou a misturar o que já existia com outras coisas que ele gostava de ouvir, como merengue, soca, reggae, rock e outras coisas.

https://www.youtube.com/watch?v=0cUS97SbawU

Nessa época, o que se fazia na Bahia começou a ganhar algum espaço nacional. Foi então que o jornalista Hagamenon Brito, de maneira pejorativa, apresentava um jornal local e após uma reportagem disse: é, parece que a axé music está crescendo, e riu... Naquela época, isso era só música de carnaval e intelectualóides só ouviam Gil, Caetano, João Gilberto, etc...

Pra quem vê de fora, parece que surgia um movimento musical, mas a gente de lá só viu uma continuação do que já existia, com algumas mesclas novas, é claro. Nessa época surgiram Sarajane, Asa de Águia, Chiclete tomou força e tal...

Durante todo esse tempo citado, os blocos afro saíam com seus ritmos de candomblé pelas ruas da cidade, mas era "coisa de preto" e não se misturava muito com o que falei até então. Lá por 1985 o pessoal da Banda Mel resolveu misturar o que o Olodum fazia com o estilo mais comum, já com guitarras e bateria, foi o sucesso Faraó:

https://www.youtube.com/watch?v=Vslc-b5Urjw

Veio uma época com letras que falavam do racismo, do orgulho negro, origens africanas, etc... Tudo isso coexistia e Dodô e Osmar continuavam fazendo frevo baiano e com músicas de sucesso. A partir daí a parte afro da cidade começou a ter mais destaque com grupos que eram locais, como Olodum, Ilê e Araketu tendo destaque nacional e internacional. Nessa época já existiam dezenas de trios elétricos, com artistas como Ricardo Chaves, Daniela ainda começando, Cheiro de Amor, Chiclete, Asa, etc... e as misturas da Bahia ganhavam o Brasil.

Paralelo a isso tudo, uma certa banda tocava samba de roda com letras bem locais no circuito alternativo do centro, era o Gera Samba... Eles começaram acho que no fim dos anos 70 ou início dos anos 80, mas enquanto o axé se popularizava entre a classe média e galerinha de faculdade, gera samba era música de periferia. Só que você ia num show deles tinha gente saindo pelo ladrão.

Samba de roda é um estilo de rua, originado das festas de escravo feitas nas senzalas:

https://www.youtube.com/watch?v=LpT0SDz-gx0

O gera samba começou a tocar isso com instrumentos elétricos e tal...

Pra gente que é da Bahia, pagode tipo gera samba nunca fez parte do movimento axé music. Sempre foi outra coisa bem separada.

Surgiu ainda Daniela Mercury no início dos anos 90 com uma linguagem que tinha mais appeal, boas gravações e coreografias e tal... Era o auge do axé, o Brasil todo queria ir pra Salvador ou levar o formato do carnaval de lá pra suas cidades.

Tem que falar também da Timbalada, movimento do bairro do Candeal, que tentou incorporar alguns toques de percussão da própria cidade à linguagem de bloco afro que já existia, surgiu um estilo muito interessante, mais focado pra ritmo de rua e dança:

https://www.youtube.com/watch?v=ml0gqmAgwHQ

Em meados de 1995, o gera samba, que já tinha seu espaço em Salvador, começou a surgir pra o Brasil. Começou o reinado da bundinha, do peitinho, das Carlas Perez e das Sheilas da vida... O resto dá pra saber mais ou menos...
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Re: Axé Music

Mensagem por Claudio Mengarda em Dom Maio 21, 2017 4:16 pm

Caramba Alex, extremamente complexo e explicativo. É engraçado pensar a complexidade de se criar um estilo musical, foram anos de evolução pra ser o que é hoje, e acho que é bem diferente do que foi no início.
Muito bom!
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Re: Axé Music

Mensagem por Jose-Franco em Dom Maio 21, 2017 4:40 pm

Muito interessante. eu pensava que tudo que veio da Bahia de Luís Caldas pra cá era tudo axé, nem imaginava que a história do axé tinha começado bem antes disso. Mas agora ouvindo os links que vc passou da pra perceber claramente que axé é uma coisa bem distinta do resto da música baiana. Muito bacana, obrigado pela explicação Allex...

Mas ouvindo o que os links que vc colocou, estava pensando sobre as linhas de baixo no axé. Eu sou meio leigo em se tratando de música, mas vou tentar explicar a dúvida que me veio...
A princípio as linhas de baixo eram mais retas e simples, me parecem baseadas nas tríades dos acordes ou algo assim, desculpe se estiver falando asneira, e com o tempo as levadas de baixo foram evoluindo sua complexidade de tal forma, que para mim hoje elas são tão intrincadas que me lembra um choro.

Então, minha questão é a seguinte: Você poderia falar sobre essa evolução do baixo no axé? Eu digo no sentido de em que se baseiam essa linhas tão complexas.

Pra mim é um coisa de louco com tantos instrumentos de percussão e com esses tempos quebrados fazer uma linha extremamente intricada soar tão harmoniosa, coisa de fera!!! Meu conhecimento ainda é muito aquém disso aí mas tenho interesse em compreender melhor.

Enfim, espero que tenha sido claro ao explicar minha dúvida, as vezes me perco no assunto e fico meio confuso.
Eu  sei que o assunto é complexo, e para entender eu deveria contratar um professor e estudar a fundo o assunto para conseguir realmente compreender o estilo. Porém o que quero é um ponto de partida para iniciar essa pesquisa.

Caso você ache complicado de descrever isso num post tudo bem, mas se você souber de algum livro ou publicação que trate do assunto para indicar fico grato.

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Re: Axé Music

Mensagem por allexcosta em Dom Maio 21, 2017 4:44 pm

Claudio Mengarda escreveu:Caramba Alex, extremamente complexo e explicativo. É engraçado pensar a complexidade de se criar um estilo musical, foram anos de evolução pra ser o que é hoje, e acho que é bem diferente do que foi no início.
Muito bom!

É que o jeito do baiano encarar música é muito específico. Lá tudo pode, tudo deve ser misturado. Ficou bom? Então vamo fazer...

É muito diferente de escola de samba, por exemplo. Você tem um ritmo durante 50 anos, aí um cara faz a paradinha, aí rola um funk no meio e volta pro samba. Meio que acaba aí...

Música caipira você tem Tonico e Tinoco, depois mistura com pop/rock e vem Zezé e Leonardo e mistura mais um pouquinho e vem o que tá aí hoje.

Forró tem Luiz Gonzaga, depois tem o vanerão nos anos 90 e evolui pra o Aviões...

Frevo nunca mudou muito...

Música baiana cada banda, cada ano, é um negócio completamente diferente... Acho que pelo fato de serem muitos núcleos musicais na cidade, sei lá...
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Re: Axé Music

Mensagem por SILVIAO em Dom Maio 21, 2017 5:55 pm

Excelente tópico.
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Re: Axé Music

Mensagem por Zubrycky em Dom Maio 21, 2017 6:24 pm

Parabéns pelo tópico, Allex. Ele ajudou a dirimir a minha ignorância, que é quase total, neste assunto. Obrigado!
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Re: Axé Music

Mensagem por allexcosta em Dom Maio 21, 2017 6:29 pm

Jose-Franco escreveu:Mas ouvindo o que os links que vc colocou, estava pensando sobre as linhas de baixo no axé. Eu sou meio leigo em se tratando de música, mas vou tentar explicar a dúvida que me veio...
A princípio as linhas de baixo eram mais retas e simples, me parecem baseadas nas tríades dos acordes ou algo assim, desculpe se estiver falando asneira, e com o tempo as levadas de baixo foram evoluindo sua complexidade de tal forma, que para mim hoje elas são tão intrincadas que me lembra um choro.

Então, minha questão é a seguinte: Você poderia falar sobre essa evolução do baixo no axé? Eu digo no sentido de em que se baseiam essa linhas tão complexas.

Pra mim é um coisa de louco com tantos instrumentos de percussão e com esses tempos quebrados fazer uma linha extremamente intricada soar tão harmoniosa, coisa de fera!!! Meu conhecimento ainda é muito aquém disso aí mas tenho interesse em compreender melhor.

À medida que a percussão foi ficando mais complexa e apareceram mais instrumentos graves como o surdo, o baixista passou a sentir a necessidade de tocar mais na região média e com notas menos longas, além disso, a influência forte da soca e suas linhas de baixo intrincadas foi fundamental para a evolução do baixo no estilo. Vê se dá pra entender melhor:

https://www.youtube.com/watch?v=P1d7NxVBrEs

Dentro do samba de roda, aconteceu algo parecido com o samba carioca e o violão de 7 cordas. Os graves eram feitos por violões tocados com dedeira, então as frases eram bem intrincadas. Quando o samba de roda se eletrificou, o baixista precisou aprender a tocar essas frases longas e cheias de situações harmônicas.
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Re: Axé Music

Mensagem por Jose-Franco em Dom Maio 21, 2017 6:37 pm

Poxa! Interessantíssimo o assunto!!! Obrigado pelas informações claps

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Re: Axé Music

Mensagem por Claudio Mengarda em Dom Maio 21, 2017 8:27 pm

allexcosta escreveu:
Claudio Mengarda escreveu:Caramba Alex, extremamente complexo e explicativo. É engraçado pensar a complexidade de se criar um estilo musical, foram anos de evolução pra ser o que é hoje, e acho que é bem diferente do que foi no início.
Muito bom!

É que o jeito do baiano encarar música é muito específico. Lá tudo pode, tudo deve ser misturado. Ficou bom? Então vamo fazer...

É muito diferente de escola de samba, por exemplo. Você tem um ritmo durante 50 anos, aí um cara faz a paradinha, aí rola um funk no meio e volta pro samba. Meio que acaba aí...

Música caipira você tem Tonico e Tinoco, depois mistura com pop/rock e vem Zezé e Leonardo e mistura mais um pouquinho e vem o que tá aí hoje.

Forró tem Luiz Gonzaga, depois tem o vanerão nos anos 90 e evolui pra o Aviões...

Frevo nunca mudou muito...

Música baiana cada banda, cada ano, é um negócio completamente diferente... Acho que pelo fato de serem muitos núcleos musicais na cidade, sei lá...

Que bom que vocês pensam assim! Very Happy
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Re: Axé Music

Mensagem por Normando Neto em Seg Maio 22, 2017 12:31 pm

Acho que tem a ver com o topico:

http://www.contrabaixobr.com/t33038-desenvolvimento-de-linhas-de-baixo-a-partir-de-ritmos-afro-baianos



Achei esse trabalho também. Não li ainda:

http://www.ppghis.uneb.br/_dissertacoes/wadson_barbosa_calasans_pereira.pdf



Última edição por Normando Neto em Seg Maio 22, 2017 12:34 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Axé Music

Mensagem por Mauricio Luiz Bertola em Seg Maio 22, 2017 12:34 pm

Muito bom tópico!
claps
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Re: Axé Music

Mensagem por Normando Neto em Seg Maio 22, 2017 12:35 pm

Ah, e parabéns a Allex pelo tópico e pelos resumos.

claps claps claps
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Re: Axé Music

Mensagem por allexcosta em Seg Maio 22, 2017 1:02 pm

Normando Neto escreveu:Achei esse trabalho também. Não li ainda:

http://www.ppghis.uneb.br/_dissertacoes/wadson_barbosa_calasans_pereira.pdf

Wadsinho é meu amigo há muitos anos, na verdade eu era mais amigo do irmão dele, Luciano. Com 12 anos de guitarra já tocava muito. É vizinho da minha mãe, formado em história e músico de qualidade.
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Re: Axé Music

Mensagem por Mauricio Luiz Bertola em Seg Maio 22, 2017 1:34 pm

allexcosta escreveu:
Normando Neto escreveu:Achei esse trabalho também. Não li ainda:

http://www.ppghis.uneb.br/_dissertacoes/wadson_barbosa_calasans_pereira.pdf

Wadsinho é meu amigo há muitos anos, na verdade eu era mais amigo do irmão dele, Luciano. Com 12 anos de guitarra já tocava muito. É vizinho da minha mãe, formado em história e músico de qualidade.
Olha os Historiadores aí!
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Re: Axé Music

Mensagem por Juninho Sampaio em Ter Maio 23, 2017 4:39 pm

Allex só esqueceu de citar o Neguinho do Samba, o criador do Samba reggae, na qual é a grande característica desse disco FEIJÃO DE CORDA.

Edit:
ops! FEIJÃO COM ARROZ.

Feijão de corda é uma música. Certa feita no carnaval...último dia de carnaval, em frente ao cristo ela disse no microfone:
Cesário, vamos tocar aquela música que eu adoro e que está no nosso repertório com mais de 400 músicas e aí pau!!!
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Re: Axé Music

Mensagem por allexcosta em Ter Maio 23, 2017 4:56 pm

Omiti muita coisa porque de cabeça é complicado. Orlando Tapajós foi muito importante também.

Mas falei do Olodum e do trio Tapajós...

Enfim, é muita coisa.
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Re: Axé Music

Mensagem por joabi em Ter Maio 23, 2017 9:17 pm


Putz, são tantos caras que eu admiro no Axé que nem sei por onde começar... Letieres, Cesário, Alfredo Moura, Gigi, Daniela...

Um cara que ainda não foi falado aqui, mas que eu parava só pra ouvir os baixos na década de 90 era o Netinho. Tinha uma mega banda. Foi aí que descobri quem era o Gigi.

Essa versão de 2007 também é legal:


Spoiler:

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Re: Axé Music

Mensagem por Juninho Sampaio em Qua Maio 24, 2017 8:59 am

^Não se se você sabe, mas o batera de Netinho era o Cesinha, hoje na banda base do Musica Boa Ao vivo (o careca)
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Re: Axé Music

Mensagem por Normando Neto em Qua Maio 24, 2017 10:57 am

allexcosta escreveu:Parece que há uma disparidade enorme entre o que muita gente pensa que é axé music comparado ao que realmente é...

Convido os srs e sras a ouvirem um disco que, na minha opinião, representa bem esse movimento e, talvez assim, formarem uma opinião mais educada sobre o assunto:


Não tinha podido ver o vídeo no trabalho.

O nome desta música não é "Nobre Vagabundo"?

É de Márcio Mello, né?

Fui confirmar e é, sim, mas na Wikipedia achar o nome de Marcio dá um trabalho enorme. Tá escondido lá num cantinho e o artigo começa dizendo que "  (...) é uma canção da cantora brasileira Daniela Mercury, gravada (...)".

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nobre_Vagabundo

A internet, para achar o compositor de uma música, tá uma bosta, pelo menos no Brasil. Os sites de letras/cifras sempre tem o nome do cantor/intérprete, sem créditos para os verdadeiros compositores.

P.S.: Adoro a versão de Daniela (deve ser de Cesário Leone, o arranjo) para Você Não Entende Nada, de Caetano, também:

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Re: Axé Music

Mensagem por allexcosta em Qua Maio 24, 2017 11:12 am

^ O que eu postei é o disco inteiro. A primeira música é Nobre Vagabundo sim, do Márcio Mello.
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Re: Axé Music

Mensagem por Juninho Sampaio em Qua Maio 24, 2017 1:31 pm

allexcosta escreveu:^ O que eu postei é o disco inteiro. A primeira música é Nobre Vagabundo sim, do Márcio Mello.

Ele mesmo...
Fiz um som e ele deu uma canja cantando outra musica dele chamada beat lamento

Esse dia ficou registrado...
http://www.contrabaixobr.com/t15431p150-fotos-de-apresentacoes#745399

Essa também é dele. SANTA HELENA (gravei na varanda da minha casa), com um amigo..
2 violões e 1 baixo. Foi tocada fazendo pé-de-boi com meu Washburn



Aqui um show dele no bairro do Rio Vermelho
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Re: Axé Music

Mensagem por arturbmallmann em Qua Maio 24, 2017 4:16 pm

allexcosta escreveu:
Jose-Franco escreveu:Qual foi a origem do movimento musical do axé? Ou como se deu o início desse movimento?

Ok, é meio complicado, mas vou tentar... É preciso ler e ir clicando nos links pra entender melhor.

Caramba!! Obrigado pelas informações. Muito bom mesmo. Digno de um documentário.
Oque mais me chamou a atenção foi sobre o Gera Samba, incrível este CD: https://www.youtube.com/watch?v=LpT0SDz-gx0 .
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Re: Axé Music

Mensagem por Juninho Sampaio em Qua Maio 24, 2017 4:33 pm

Allex me confirme ai...
A banda do Ricardo Chaves (é o bicho é o bicho vou te devorar....) era composta por durval lelis na guitarra que depois foi fazer o Asa de águia e Daniela era back dele?
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Re: Axé Music

Mensagem por allexcosta em Qua Maio 24, 2017 4:46 pm

Juninho Sampaio escreveu:Allex me confirme ai...
A banda do Ricardo Chaves (é o bicho é o bicho vou te devorar....) era composta por durval lelis na guitarra que depois foi fazer o Asa de águia e Daniela era back dele?

Eu só lembro de Durval já no Asa de Águia, que era uma banda de rock de mauricinho. Por sinal, o primeiro sucesso deles, "Bota pra Ferver", foi gravado primeiro em rock. Daniela eu lembro fazendo barzinho e com a Cia Click.

Ricardo Chaves não existia como artista naquela época, era o cantor da Banda Eva. Minha memória é meio que de 85/86 pra frente, mas meu irmão é mais velho que eu, també toca e nunca vi comentando isso.

Algumas coisas especiais da época. Pra vocês verem como a música baiana dos anos 80 era boa:

https://www.youtube.com/watch?v=PZS0EG3i73E

https://www.youtube.com/watch?v=M0tyzJD0voU
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Re: Axé Music

Mensagem por Juninho Sampaio em Qua Maio 24, 2017 4:57 pm

Tem muita coisa nesse meio...que eu não sei te dizer.
Depois veio Cláudia Leite sendo back da Cia do pagode (Vai descendo na boquinha da garrafa...)

Tempos depois formou-se a babado novo com o guitarrista rasta da Cia do pagode, Serginho (Sergio Rocha)
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Re: Axé Music

Mensagem por AndréBurger em Qua Maio 24, 2017 6:42 pm

O primeiro vídeo que o Allex postou é muito bom (o som, né)

E, nos comentários tem uma 'pérola': "eu abandonei o metal depressivo para os ritmos de alegria do brasil"

Belo tópico!

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Re: Axé Music

Mensagem por allexcosta em Qui Maio 25, 2017 7:52 am

Mais um pouco de história sobre a relação entre o frevo e a axé music e o carnaval de Pernambuco e Salvador:

O Frevo na Bahia

Por Leonardo Dantas Silva

Gerado e crescido nas ruas centrais do Recife, o Frevo Pernambucano passou a ser uma constante nos repertórios das mais diferentes bandas de música e conjuntos de metais do Nordeste, conquistando, assim, simpatizantes muito além das fronteiras de sua região.

Em 1951, o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas do Recife, atendendo a um convite do seu congênere do Rio de Janeiro, excursionou à Cidade Maravilhosa com todos os seus integrantes e músicos como passageiros de um navio do Loyde Brasileiro.

Tal viagem, ainda hoje na lembrança dos mais antigos, veio mudar a história do Frevo Pernambucano.

O Clube Vassourinhas levara consigo “uma fração da Banda da Polícia Militar de Pernambuco, composta de 65 músicos sob a regência do tenente João Cícero”, a fim de acompanhar todas as suas apresentações. Para isso foi confeccionado um riquíssimo estandarte, no qual foram utilizados fios de ouro e pedrarias, que veio a ser presenteado pelo Governo do Estado. Em pouco tempo reuniu-se grande número de associados que deveriam apresentar-se nos seus cordões, ostentando suas ricas fantasias e destaques nas ruas do Rio de Janeiro durante aquele carnaval.

Completo o clube saiu de sua sede social no bairro de São José, formando na Rua das Calçadas, como se fora fazer o seu “passeio” pelas ruas do Recife, com João de Emília, o seu primeiro porta-estandarte, envergando rica fantasia Luiz XV e, ao som de sua Marcha n.º 1, embarcou no cais do porto com destino à Cidade Maravilhosa. Dias depois, ao aportar em Salvador, cidade bucólica que ainda via os carnavais com as famílias povoando de cadeiras as calçadas da Avenida Sete de Setembro, o Clube Vassourinhas foi convidado a fazer uma apresentação nas ruas da capital baiana. Para o seu programado passeio através das ruas da cidade do Salvador, os integrantes do clube cruzaram o portaló do navio, desceram as escadas e foram organizar o seu préstito no cais.

Com o seu rico estandarte alçado ao vento, morcegos abrindo a multidão, formando alas em torno dos porta-estandartes, balizas puxando os cordões, damas de frente e fantasias de destaque, diretoria vestida a rigor, ganhou às ruas. Tudo sob o acompanhamento daquela fanfarra de 65 músicos, o maior conjunto de metais já visto na Bahia até então. Com seus metais em brasa, a banda militar que por tantas noites ensaiara sob a batuta de João Cícero, em pleno leito da Rua das Calçadas no bairro recifense de São José, estava ali pondo fogo nas ruas da capital baiana e fazendo a história da música popular brasileira. Ao ingressar na Avenida Sete, ao som de sua Marcha nº. 1, composta em 1909 por Joana Batista e Matias da Rocha e conhecida nacionalmente como o Frevo dos Vassourinhas, a turba que acompanhava o clube tomou-se de delírio.

No repertório de sua orquestra, outros frevos instrumentais se seguiram, alguns especialmente compostos para aquela primeira excursão fora do Recife: Vassourinhas no Rio, de Carnera (Felinto Nunes de Alencar), Vassourinhas está no Rio, de Levino Ferreira, e Um pernambucano no Rio, de Capiba. Com o Vassourinhas nas ruas, os diabos tomaram conta de Salvador e o baiano, que não conhecia o frevo ao vivo executado por uma fanfarra de 65 músicos pernambucanos, enlouqueceu ao aderir à onda e aos pulos, pois nunca conseguiu aprender os verdadeiros passos do frevo. Tal comportamento veio atropelar tudo que encontrava em sua frente.

Após alguns quilômetros de itinerário, percorrendo toda Avenida Sete de Setembro, o Vassourinhas veio a ser atropelado pela multidão que vinha em seu rastro. Não acostumada ao acompanhamento de um clube de frevo, onde a orquestra, como se fosse um andor de procissão, é intocável, a turba baiana terminou por atropelar os músicos provocando com isso vários acidentes pelos encontrões com os mais exaltados. Já apresentando baixas em sua fanfarra de metais, com alguns músicos com os lábios feridos pelo impacto com os foliões, o Clube Vassourinhas foi buscar refúgio no Palácio do Governo encerrando, assim, aquela primeira incursão em terras baianas.Não é preciso dizer que aquele único desfile pelas ruas de Salvador veio se transformar em grande revolução nos meios musicais do país: no mesmo carnaval de 1951,

Dodô e Osmar, que no carnaval de 1950 já haviam saído com serviço de amplificação de um pequenino conjunto de cordas e percussão, montado na carroceria de um velho Ford 29, voltaram às ruas de Salvador em 1951 executando o repertório de frevos do Clube Vassourinhas do Recife. Inicialmente só dois instrumentos, a guitarra baiana e o violão elétrico, passando no ano seguinte para três com a inclusão do violão tenor, o triolim, surgindo assim o trio elétrico que veio a se tornar uma verdadeira revolução no carnaval brasileiro. Ou como melhor explicou Morais Moreira, no carnaval de 1980, nas estrofes do seu Vassourinha Elétrica ¹.

¹ Morais Moreira, Vassourinha elétrica, Trio Elétrico, disco WEA BR 82001-B.

Varre, varre, varre Vassourinhas
Varreu um dia as ruas da Bahia
Frevo, chuva de frevo e sombrinhas
Metais, em brasa, brasa, brasa que ardia
Varre, varre, varre Vassourinhas
Varreu um dia as ruas da Bahia
Abriu alas e caminhos pra depois passar
O trio de Armandinho, Dodô e Osmar…

E o frevo que é pernambucano, ui, ui, ui, ui
Sofreu ao chegar na Bahia, ai, ai, ai, ai
Um toque, um sotaque baiano, ui, ui, ui, ui

Pintou uma nova energia, ai, ai, ai, ai
Desde o tempo da velha fubica, ah, ah, ah, ah…
Parado é que ninguém mais fica
É o frevo, é o trio, é o povo
É o povo, é o frevo, é o trio
Sempre juntos fazendo o mais novo
Carnaval do Brasil

O que contaríamos em algumas páginas, é resumido nessas estrofes de Vassourinha Elétrica, composto por Morais Moreira para o carnaval de 1980, Trio Elétrico, disco WEA, BR 82001-B. A partir de 1952 o trio de Dodô (Adolfo Nascimento) e Osmar (Osmar Macedo), passou a sair num caminhão iluminado de lâmpadas florescentes, dois geradores, oito alto falantes, sob o patrocínio da fábrica de refrigerantes Fratelli Vita, de propriedade do industrial pernambucano Miguel Vita. – A presença de Armandinho só vem acontecer no final do ano de 1974.

No rastro da novidade de Dodô e Osmar foram surgindo, no carnaval da Bahia, outros trios — Tapajós, Marajós, Tabajaras… —, com as suas formações já modificadas pela inclusão de mais uma guitarra, um contrabaixo elétrico, quatro surdos, quatro bombos menores, quatro caixas, pratos, bateria e, nos dias atuais, os “indispensáveis” teclados.

O contrato com a Fratelli Vita terminou em 1957 e, dois anos depois, o Trio Elétrico de Dodô e Osmar foi contratado pela Coca-Cola para o Carnaval do Recife, coincidindo, assim, com o “Carnaval da Vitória” de Cid Sampaio, que havia tomado posse no Governo de Pernambuco em 31 de janeiro de 1959. O sucesso da época era um frevo-de-bloco de Nelson Ferreira, que utilizou o refrão da campanha, então na boca de toda gente – “o povo é que diz Cid” –, e logo se tornou o preferido do repertório dos baianos:

O Bloco da Vitória está na rua
desde que o dia raiou…
Venha, minha gente, prô nosso cordão,
que a hora da virada chegou!
Quando o povo diz Cid
cair na frevança não há quem dê jeito…
Agüenta o rojão, ficar sem comer
mas no fim, hei!
Tá tudo okei!
Neste carnaval
qua! qua! qua! qua!
o prazer é gargalhar …
E com bate-bate de maracujá
a nossa vitória
vamos festejar.


Para escutar... Reparem que o baixo realmente simulava as linhas de tuba do frevo e os metais foram substitudos pelas guitarras:

https://www.youtube.com/watch?v=hbOP_Z-yNIE
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Re: Axé Music

Mensagem por allexcosta em Qui Maio 25, 2017 8:04 am

Sei que muita gente não conhece, então aí vão mais algumas coisas legais:

https://www.youtube.com/watch?v=bdfC_L6oEyQ

Chão da Praça
Caetano Veloso

Olhos negros cruéis, tentadores das multidões sem cantor
Olhos negros cruéis, tentadores das multidões sem cantor
Meu amor quem ficou nessa dança meu amor tem pé na dança
Nossa dor meu amor é que balança nossa dor o chão da praça
Vê que já detonou som na praça porque já todo pranto rolou
Olhos negros cruéis, tentadores das multidões sem cantor ...
Olhos ne gros cruéis, tentadores das multidões sem cantor
Eu era menino, menino um beduíno com ouvido de mercador Ô ô ô ôô ô ô
Lá no oriente tem gente com olhar de lança na dança do meu amor(2x)
Tem que dançar a dança que a nossa dor balança o chão da praça ôuôuô(2x)
Meu amor quem ficou nessa dança meu amor tem pé na dança
Nossa dor meu amor é que balança nossa dor o chão da praça
Vê que já detonou som na praça porque já todo pranto rolou
Olhos negros cruéis, tentadores das multidões sem cantor ...
Olhos negros cruéis, tentadores das multidões sem cantor
Eu era menino, menino um beduíno com ouvido de mercador Ô ô ô ôô ô ô
Lá no oriente tem gente com olhar de lança na dança do meu amor(2x)
Tem que dançar a dança que a nossa dor balança o chão da praça ôuôuô(2x)
Balança o chão da praça Ô u ô u ô balança o chão da praça
Ô u ô u ô balança o chão da praça Ô u ô u ô b a l a n ç a o c h ã o

https://www.youtube.com/watch?v=weA_h_rXaXs

Bloco do Prazer
Moraes Moreira

Vem meu amor feito louca
Que a vida tá curta
E eu quero muito mais
Mais que essa dor que arrebenta
A paixão violenta
Oitenta carnavais

Pra libertar meu coração
Eu quero muito mais
Que o som da marcha lenta
Eu quero um novo balancê
E o bloco do prazer
Que a multidão comenta
Não quero oito e nem oitenta
Eu quero o bloco do prazer
E quem não vai querer?

Mamã mamãe eu quero sim
Quero ser mandarim
Cheirando gasolina
Na fina flor do meu jardim
Assim como carmim
Da boca das meninas
Que a vida arrasa e contamina
O gás que embala o balancê

Vem meu amor feito louca
Que a vida tá curta
E eu quero muito mais
Mais que essa dor que arrebenta
A paixão violenta
Oitenta carnavais
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Re: Axé Music

Mensagem por allexcosta em Qui Maio 25, 2017 8:19 am

Impossível também falar de música de carnaval do Norte e Nordeste do Brasil sem falar da influência avassaladora do "Kadans" ou "Cadence-lypso", parente próximo do Zouk Haitiano, nos anos 80 e 90.

Não havia uma festa sequer que não tocasse essa música e outras:

https://www.youtube.com/watch?v=LJFKCq_TRYA

Mas artistas baianos já namoravam o zouk desde os anos 70. Exemplo:

https://www.youtube.com/watch?v=XgQLOSpG4EM
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Re: Axé Music

Mensagem por Mauricio Luiz Bertola em Qui Maio 25, 2017 8:41 am

Excelente tópico!
Estou aprendendo muito! Baseado nas suas colocações vou fazer uma seleção de músicas axé de qualidade para minhas listas de músicas MP3.
Obrigado!
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Re: Axé Music

Mensagem por arturbmallmann em Qui Maio 25, 2017 11:36 am

allexcosta escreveu:Impossível também falar de música de carnaval do Norte e Nordeste do Brasil sem falar da influência avassaladora do "Kadans" ou "Cadence-lypso", parente próximo do Zouk Haitiano, nos anos 80 e 90.

Não havia uma festa sequer que não tocasse essa música e outras:

https://www.youtube.com/watch?v=LJFKCq_TRYA

Lambada pura isto aí!
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Re: Axé Music

Mensagem por allexcosta em Qui Maio 25, 2017 12:45 pm

arturbmallmann escreveu:Lambada pura isto aí!

A palavra "lambada" só existe no Brasil.

Nosso país tem o hábito de copiar estilos consagrados em outros lugares e batizá-los com um nome novo. Zouk/cadence virou lambada, assim como bachata virou arrocha, etc...
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Re: Axé Music

Mensagem por arturbmallmann em Qui Maio 25, 2017 12:53 pm

Sim sim.
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Re: Axé Music

Mensagem por fheliojr em Qui Maio 25, 2017 5:33 pm

este tópico, terei q ler com calma.
Obrigado por mais esta contribuição, alex!
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Re: Axé Music

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