O professor de História é um doutrinador?

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Mensagem por WHead em Seg Ago 26, 2019 7:49 am

O professor de História é um doutrinador? Meat-g10

O professor de História é um doutrinador?
https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2019/08/o-professor-de-historia-e-um-doutrinador-cjzn04qz4051x01padd7j76bp.html  

"Ele não é apenas um técnico, muito menos uma máquina, e a sala de aula, como qualquer espaço público, sempre será o lugar para o imprevisível e o imponderável, o diálogo e a discordância"

Por Nilton Mullet Pereira
Professor da UFRGS
http://lattes.cnpq.br/2674881975631801

O argumento de que um professor de História é um doutrinador tem um forte componente ideológico. Sempre parte de uma postura que procura desqualificar um espaço público como a escola e duvidar da ideia de que a aprendizagem da vida e para a vida se dá também nessa relação conflituosa, difícil, às vezes frustrante, mas com trocas e novas informações, que caracteriza o espaço público e que é fundamental para o futuro das novas gerações.

O tom acusatório que assume o argumento é demasiado perverso. Primeiro, porque se insere no interior de um certo dispositivo de banalidade. Uma disposição dos modos de ver e de falar que valoriza excessivamente a opinião (a doxa) e deprecia o conhecimento acadêmico e as disciplinas científicas, tratando a opinião comum e o conhecimento como se tivessem o mesmo valor para explicar a vida social ou até mesmo a própria natureza (ver contestações às teses do aquecimento global, o movimento antivacina, oterraplanismo ou o negacionismo em relação ao golpe de 1964). Segundo, porque esse tom acusatório se sustenta numa noção um tanto simplória de que uma relação de criação e de conhecimento se dá apenas no campo de uma técnica. Para esse discurso da banalidade, a técnica seria suficiente para ensinar História, desenhar um projeto arquitetônico de uma residência, ou administrar uma cidade ou um país.

Essa leitura supõe que, se você é tão somente um técnico, você é imparcial, neutro e capaz de furtar-se de si mesmo, suas inspirações, suas paixões, seus gostos, suas referências históricas e subjetivas. No limite, o técnico perfeito seria uma máquina, mas uma máquina nunca projetada por uma pessoa, uma máquina autocriada, sem a interferência dos valores humanos, das gentes.

Ora, um professor de História é como um arquiteto. O arquiteto, ao criar um projeto de moradia para uma família determinada, é um sujeito que domina as técnicas do desenho e outras tantas que nem sei listar e, ao mesmo tempo, é também um artista, um historiador, um matemático, um sociólogo, uma pessoa, uma subjetividade. Sua criação não é meramente técnica; ele não é essa máquina autocriada que não habita lugar algum. O arquiteto tem inspiração, tem referências históricas, tem a família para quem o espaço de convívio será criado, que gosta mais disto ou daquilo. O arquiteto prefere mais o azul do que o vermelho, ou vice-versa. Poderá a família, quem sabe, não gostar muito do primeiro desenho, mas a escuta e o debate do arquiteto com os familiares serão elementos centrais que farão valer um espaço de diálogo no próprio processo de criação do arquiteto/artista/historiador/gente. A complexidade envolvida na criação e no conhecimento não pode, portanto, ser reduzida a uma doutrinação.

O professor de História é como um arquiteto, um médico, um engenheiro eletrônico, um artista, um filósofo. Ele não doutrina ninguém. Ele propõe uma relação de conhecimento que fala da vida, dos imaginários de diferentes povos, das organizações e políticas de outras sociedades, do seu presente e do modo como imaginamos hoje o tempo que passou e suas relações com os nossos próprios tempos. Sua criação, em uma aula de História, são os conceitos e, ao mesmo tempo, a crítica, o debate sobre como a vida foi produzida desde muito antigamente até os dias de hoje.

Esse trabalho tem uma porção que envolve técnicas discursivas, metodológicas e teóricas. Essas técnicas são um conjunto de conceitos criados pelo pensamento histórico e pedagógico desde séculos passados. Elas exigiram uma porção significativa de pensamento, debate, defesas de teses e elaborações narrativas. Mas esse processo todo nunca foi puramente técnico, nunca foi uma obra de uma máquina autocriada; foi obra de pessoas e, por isso, teve e tem também uma porção de arte, de vida, de amor, de paixão, de conflito, de confronto, de memórias, de saberes dos próprios alunos, de saberes das comunidades onde estão nossas escolas.

Um dos conceitos que mais transitam numa aula de História é o de ditadura: a ditadura civil-militar no Brasil, as ditaduras do Cone Sul, a ditadura nazista e outras variações possíveis. Em uma aula sobre a ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985), não se trata de se opor opinativamente se se é contra ou a favor; não é isso que está em questão. Esse conceito foi construído demoradamente e com significativo rigor teórico e metodológico, a partir de um trabalho calmo e paciente sobre os documentos, como bases materiais e empíricas, que permitem a produção das interpretações históricas. Trata-se, portanto, de entender o conceito e pensar determinadas realidades a partir dele.

O real nos é dado através de uma operação de linguagem. Às vezes, fazemos isso cotidianamente, de modo a dar sentido ao que vemos, mas essa operação de linguagem que é a criação conceitual não é obra de uma opinião cotidiana; é um trabalho longo e paciente do cientista que se debruça sobre os dados empíricos disponíveis e os documentos (escritos, visuais, sonoros etc.) que nos dão acesso, na forma de vestígios, ao passado. Um conceito não pode ser meramente oposto a uma opinião, ainda que a existência desta possa ser um ponto de partida para a aprendizagem conceitual. Negar a aprendizagem dos conceitos é viver em um mundo limitado, pois o acúmulo de conceitos produzidos no âmbito da criação do conhecimento é capaz de ampliar as possibilidades de mundo, bem como permitir a criação de novos mundos.

Portanto, uma aula de História não é espaço de doutrinação, e o professor não é uma máquina. Um professor de História também não é de esquerda ou de direita, nem evangélico ou do batuque, ainda que possa ter cada uma dessas crenças como constituintes de sua subjetividade. O fato é que, quando está em aula, ainda que gente, ele é definitivamente professor de História e, se for evangélico, essa porção que o compõe trará para a sala de aula um certo modo de ser: tolerante, amoroso, provocador, inquieto, falante etc. Logo, ele vive o paradoxo de ser gente e de levar sua escuta para outras gentes, de outros tipos, de outras artes, religiões e políticas. Esse saber de abertura ele aprendeu tanto com a vida (seu devir evangélico ou do batuque) quanto com a técnica, que também é vida (os métodos e as teorias históricas e educacionais).

O professor de História não é um alto-falante que simplesmente conta uma história idêntica ao que ocorreu no passado. Ele conta histórias, mas conta com técnica e, também, com emoção, com as energias que o constituem, com sua própria história e sua memória, pois, não sendo uma máquina autocriada, ele é gente. E os alunos escutam e ajudam a contar essas histórias à medida que intervêm com as suas, com seus olhares, experiências e passados.

Isso quer dizer que, como em qualquer espaço público, na sala de aula de História há sempre lugar para o imprevisível, para o imponderável: uma fala emocionada, uma discordância, um conflito. Um professor pode ficar zangado, pode falar de governos, pode falar do seu desgosto com o sistema educacional, pode criticar práticas de intolerância, pode falar sobre a vida, o presente, os problemas que afligem a todos – e tudo isso não precisa ser necessariamente aceito ou compartilhado pelos alunos ou pais ou comunidades. Essa é a base de qualquer diálogo: a escuta e a discordância. Se o professor de História precisa escutar a comunidade, os alunos e os pais, esses todos também precisam escutá-lo, sem o tom acusatório ou perverso que implica a marca “doutrinador”. E a aprendizagem histórica, bem como a nossa formação como gente, se dá nesse embate, nesse conflito de ideias que só funciona com o respeito e a tolerância.

Esse imponderável é a própria vida circulando e atravessando os corpos que habitam, momentaneamente, a aula de História. Se o abandonamos, estaremos a querer construir escolas e aulas de História como máquinas gigantes, como na alegoria criada peloPink Floyd em The Wall, para produzir peças que possam integrar um mecanismo preexistente e que dispõe todos em lugares já definidos, com rostos sem expressão, sem sorriso, sem criação.

A tese da doutrinação é ideológica, pois, ao querer tirar a vida da escola, o imprevisível da aula de História e o diálogo público das relações entre professores, alunos e comunidades, recria um mundo-máquina, inumano, onde as regras e as normas (sempre contingentes e criadas por um grupo particular) são mais importantes do que as pessoas.


Última edição por WHead em Sex Ago 30, 2019 7:29 am, editado 1 vez(es) (Razão : correção do link)
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Mensagem por NESCAU em Seg Ago 26, 2019 8:24 am

Respondendo à pergunta do tópico: Depende. Tem professor que é "doutrinador e tem professor que é como diz o texto. Melhor ainda, tem professor que discorda da gente e respeita nossas opiniões.
Tive a sorte de encontrar vários professores assim durante a minha vida escolar.
Agradeço à Professora Zeni de História, que me transmitia a imagem de uma Indiana Jones feminina, fissurada por cada detalhe da história (ela fez a gente ler a carta inteira de Pero Vaz de Caminha na sala de aula, haha) e "só" isso. Agradeço à professora Edilene de História e Geografia que me disse que Maquiavel era mau, o que aprendi, anos depois, na universidade, que não era bem assim e, depois de um encontro na minha antiga escola, me disse: "esse teu ponto de vista sobre Maquiavel é muito interessante. Vou apresentar aos meus alunos durante as aulas da revolução Francesa". Agradeço ao professor Luiz Fernando, que não era de História, mas sim de PPT (que aqui em SC significa Preparação Para o Trabalho), mas que na verdade era uma disciplina que tinha um quê de filosofia misturada com história e práticas usuais do comércio (oi?). Ele sempre nos transmitiu a imagem de comunista, mas não sei se de fato é. Sempre manifestou-se ser esquerdista, só que nunca, jamais desrespeitou ou tentou induzir seus alunos para seguirem seus princípios. Apresentou fatos, números, explicou o lado A e o Lado B de tudo e, no final, disse: O melhor caminho a seguir quem define são vocês, eu apenas mostrei as estradas possíveis. Por mais utópico que seja, sigam os seus corações. Agradeço aos meus mestres, queridos. Uma pena que nunca lerão isso.
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Mensagem por rafael.buzzi.andrade em Seg Ago 26, 2019 10:15 am

O professor de história é como qualquer outro professor. Como qualquer outro ser humano.

Em todas as áreas existem bons e maus profissionais e é um baita erro julgar uma classe toda por conta do comportamento de um e outro.
Como um amigo meu diz: "A gente mal consegue fazer com que eles fiquem quietos e/ou nos ouçam, quanto mais doutrinar".

Demonizar o "outro lado" é uma tática antiga de movimentos extremistas, radicais ou fundamentalistas.
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Mensagem por WHead em Ter Ago 27, 2019 4:01 pm

“O homem é por natureza um animal político, tem primeiro na família sua socialização e garantia da manutenção da vida em seus aspectos financeiros e educativos, mas é na pólis que se realiza plenamente, encontrando no fiel cumprimento das leis a justiça, dado que só podemos ser feliz no exercício da justa medida, ou seja, sendo prudentes e encontrado o meio termo em nossas ações." (Aristóteles, Política)

“Por conseguinte, dos que contemplam as muitas coisas belas — não vendo o belo em si nem sendo capazes de seguir a outro que para junto dele conduza — e [contemplam] todas as coisas justas — não vendo a justiça em si — e, desse modo, todas as coisas, dizemos que opinam sobre tudo e que desconhecem aquilo sobre o que opinam." (Platão, República)

Dos primórdios da história da educação no Brasil, quando padres jesuítas inspirados na contrarreforma protestante visavam converter o máximo possível de fiéis à fé católica – e de quebra transmitir conceitos e valores formais e vigentes aos indígenas -, até chegar às reformas da educação enfatizadas nas mudanças em termos de conhecimentos e habilidades, visando a capacitação profissional para a nova reestruturação produtiva (mão-de-obra e mercado competitivo transnacional) do novo milênio, nunca houve um sequer momento em que a educação brasileira estivesse dissociada da ideologia - sempre à serviço das classes dominantes, sejam elas religiosas, econômicas ou estatais.


Referências:

BBC. Como movimentos similares ao Escola Sem Partido se espalham por outros países. https://g1.globo.com/educacao/noticia/como-movimentos-similares-ao-escola-sem-partido-se-espalham-por-outros-paises.ghtml

CAMILO, Camila, FERREIRA, Anna R., MEIRELLES, Elisa e SCACHETTI, Ana L. História da educação no Brasil. https://novaescola.org.br/conteudo/1910/serie-especial-historia-da-educacao-no-brasil

CHAVES, Miriam W. Desenvolvimentismo e pragmatismo: O ideário do MEC nos anos 1950. http://www.scielo.br/pdf/cp/v36n129/a1036129.pdf

CIAVATTA, Maria e FRIGOTTO, Gaudêncio. Educação básica no Brasil na década de 1990:Subordinação ativa e consentida à lógica do mercado. http://www.scielo.br/pdf/es/v24n82/a05v24n82

FRIGOTTO, Gaudêncio. Os circuitos da história e o balanço da educação no Brasil na primeira década do século XXI. http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v16n46/v16n46a13

NAGIB, Miguel. Professor não tem direito de “fazer a cabeça” do aluno. https://www.conjur.com.br/2013-out-03/miguel-nagib-professor-nao-direito-cabeca-aluno

MANCEBO, Deise. Reforma Universitária: Reflexões sobre a privatização e a mercantilização do conhecimento http://www.scielo.br/pdf/%0D/es/v25n88/a10v2588.pdf

MATOS, Bráulio M. A instrumentalização política do ensino escolar no Brasil. http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/especiais/55a-legislatura/pl-7180-14-valores-de-ordem-familiar-na-educacao/documentos/audiencias-publicas/BrulioCOMISSOESPECIAL07FEV2017.pdf
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Mensagem por Ivanov_br em Ter Ago 27, 2019 4:33 pm

Uma coisa é historiador, outra é jornalista. O segundo não se posiciona, o primeiro faz uma leitura do período que esta sendo discorrido. É inerente.

Lavagem cerebral por professor é coisa de gente besta. Como se o aluno fosse uma coisa acéfala que aceita tudo. Se fosse assim, todos passariam facilmente para medicina na USP.
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Mensagem por Fernando Zadá em Ter Ago 27, 2019 4:48 pm

Ivanov_br escreveu:
Lavagem cerebral por professor é coisa de gente besta. Como se o aluno fosse uma coisa acéfala que aceita tudo. Se fosse assim, todos passariam facilmente para medicina na USP.

Desculpe mas discordo...
Professor exerce muitas vezes um fascínio em alguns tipos de jovem e são quase ídolos para eles. Muitos tem sim esse papel influenciador muito forte. As vezes por conta de pais ausentes, as vezes falta de dialogo em casa mas professor influencia muito a forma de pensar do jovem quando ele é para o mesmo uma referência.
Isso não só o professor mas também aquele amigo mais velho que ele admira.
O buraco é bem mais embaixo
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Mensagem por Fernando Zadá em Ter Ago 27, 2019 8:01 pm

Mas isso não quer dizer que acho todo professor de história um doutrinador mas conheço alguns que vestem bem esse papel.....
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Mensagem por Ivanov_br em Ter Ago 27, 2019 9:53 pm

Que bom que um aluno tenha um professor como herói.
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Mensagem por rafael.buzzi.andrade em Qua Ago 28, 2019 7:06 am

Fernando Zadá escreveu:(...)Professor exerce muitas vezes um fascínio em alguns tipos de jovem e são quase ídolos para eles.(...)
Eu - inclusive - tive alguns ídolos até a faculdade e não vejo mal nenhum nisso. Sempre que eu notava que um professor tinha paixão pelo que estava fazendo, naturalmente prestava mais atenção na aula. Creio que tive bastante influência positiva de meus professores. E é assim que deveria ser para todo mundo.

Infelizmente - com a massificação do ensino "superior" (EAD) - tem se proliferado um tipo de profissional que é o oposto do que citei acima. Tenho, na família, uma diretora de escola estadual e é complicado. A diferença é gritante entre os profissionais formados à distância versus os presenciais.

Claro. Há exceções. Sempre há.

Nas experiências que eu tive e as que meus amigos compartilharam comigo, o professor "doutrinador" tende a ser o profissional mais fraco (não estou falando de EAD agora), logo a sua influência é bem menor já que os alunos sequer gostam muito dele (estou falando da minha experiência).

As pessoas que são influenciadas por esse profissional, com tu mesmo apontou, são as que vão atrás de qualquer outra influencia. Estão só procurando alguém para seguir. Claro que isso não é bom, mas não é essa catástrofe ou conspiração toda que aquela galerinha gosta de pintar. É só mais um inimigo imaginário da "nação".

Aquele que gosta do que faz e é bom nisso, está mais interessado em dar aula do que doutrinar. Claro que ele tem a sua visão de mundo e a passa adiante mesmo que não queira. Mas isso se chama "viver em sociedade" rsrs.
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Mensagem por Fernando Zadá em Qua Ago 28, 2019 11:17 am

Exato por isso comentei que até aquele amigo mais velho ou experiente pode influenciar. Doutrinar já é outro lance. Mas aqui na região mesmo tinha um professor num Anglo que ficou conhecido por transformar os alunos em minis Ches Guevaras.. Palavras de uma das mães de um ex aluno.
Coincidentemente mais dois alunos meus, da mesma turma, tinha a mesma fúria idealista e visão politica.
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Mensagem por NeyBass em Qua Ago 28, 2019 1:47 pm

rafael.buzzi.andrade escreveu:
Fernando Zadá escreveu:(...)Professor exerce muitas vezes um fascínio em alguns tipos de jovem e são quase ídolos para eles.(...)
... As pessoas que são influenciadas por esse profissional, com tu mesmo apontou, são as que vão atrás de qualquer outra influencia. Estão só procurando alguém para seguir. Claro que isso não é bom, mas não é essa catástrofe ou conspiração toda que aquela galerinha gosta de pintar. É só mais um inimigo imaginário da "nação".

Aquele que gosta do que faz e é bom nisso, está mais interessado em dar aula do que doutrinar. Claro que ele tem a sua visão de mundo e a passa adiante mesmo que não queira. Mas isso se chama "viver em sociedade" rsrs.


O papel do professor é ensinar o que está na grade curricular e no plano de aulas.
Professor não tem que ensinar os alunos a serem como ele, tem que ensinar o que está na grade. Penso assim.

A questão de ser influenciado, acaba sendo pois o aluno as vezes tem medo de questionar com o professor, pois os que batem de frente com o tal, acaba sendo o careta, quadrado, desrespeitoso, etc.

Quanto ao título do tópico: Professor de História é um doutrinador?
Resp. As vezes sim, as vezes não, existem bons e maus profissionais, assim como alunos inocentes e alunos que não se deixam influenciar.
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Mensagem por Willian Casagrande em Qua Ago 28, 2019 4:20 pm

De jeito nenhum.
Chamar professores de História, Ciências Sociais, Filosofia etc. de "doutrinadores" tem um único propósito: censurar o pensamento científico, a investigação teórica, a busca pelo conhecimento. Não existe e nem nunca existiu (e nem vai existir) conhecimento neutro nas ciências humanas e sociais.
A verdadeira "doutrinação" é esse anticientifiscismo que está crescendo no Brasil e no mundo, que condena o pensamento crítico, que silencia os outros. Um resquício do fascismo que tá voltando nos dias de hoje.
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Mensagem por Fernando Zadá em Qua Ago 28, 2019 5:31 pm

Por essa e outras que prefiro que manter afastado desse tipo de tópicos....

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Mensagem por Mauricio Luiz Bertola em Qua Ago 28, 2019 5:31 pm

Fernando Zadá escreveu:Por essa e outras que prefiro que manter afastado desse tipo de tópicos....
Porque?
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Mensagem por Jãozeiro em Qua Ago 28, 2019 6:15 pm

Willian Casagrande escreveu:De jeito nenhum.
Chamar professores de História, Ciências Sociais, Filosofia etc. de "doutrinadores" tem um único propósito: censurar o pensamento científico, a investigação teórica, a busca pelo conhecimento. Não existe e nem nunca existiu (e nem vai existir) conhecimento neutro nas ciências humanas e sociais.
A verdadeira "doutrinação" é esse anticientifiscismo que está crescendo no Brasil e no mundo, que condena o pensamento crítico, que silencia os outros. Um resquício do fascismo que tá voltando nos dias de hoje.

Como faz pra fechar o tópico?

Hehe, resposta aniquiladora. Parabéns, Willian.
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Mensagem por Jãozeiro em Qua Ago 28, 2019 6:16 pm

E parabéns ao WHead com mais um tópico rico, agora nos Off-Topic.
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Mensagem por Jãozeiro em Qua Ago 28, 2019 6:25 pm

Agora eu digo, se professores de história são doutrinadores, alguma coisa deu errado, ou então eles são péssimos doutrinadores, pois não conheço UM amigo sequer da minha geração que estudou comigo que tenha se tornado comunista, lider sindical ou goste do Lula. Vocês também não conhecem. Muito (mas muito) pelo contrário: tudo reacionário bolsolover. Então essa doutrinação toda simplesmente nunca existiu.


Um professor lá na frente assíduo e eloquente incitando nós à revolução, à guerrilha...olha, sinceramente eu não tenho o mínimo resquício dessa imagem na minha cabeça quando lembro das aulas de história no ensino fundamental ou ensino médio.

E vamos ser mais sinceros ainda, galera: professor não consegue nem falar direito na sala de aula, imagine doutrinar...

E mais outra: o mais próximo de doutrinação que vivi na escola foi doutrinação cristã conservadora. Sempre tive professor(a) que fazia a turma rezar Pai Nosso e Ave Maria antes do início da aula. Todo ano era um.

Então...
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Mensagem por rafael.buzzi.andrade em Qui Ago 29, 2019 6:54 am

Mauricio Luiz Bertola escreveu:
Fernando Zadá escreveu:Por essa e outras que prefiro que manter afastado desse tipo de tópicos....
Porque?
Pois é. Eu estou vendo praticamente um consenso na maioria dos aspectos aqui, e nas discordâncias está havendo respeito. Não poderia esperar nada melhor (tenho me mantido afastado de tópicos assim também, mas esse não deu...)

Willian Casagrande escreveu:(...)Não existe e nem nunca existiu (e nem vai existir) conhecimento neutro nas ciências humanas e sociais.(...)
Parece que isso é difícil entrar na cachola das pessoas.
Falando de modo geral: Não é que o professor de história quer que os alunos sejam como ele, mas ele acaba passando parte de si junto com o pensamento. É impossível não fazer.

Jãozeiro escreveu:(...)o mais próximo de doutrinação que vivi na escola foi doutrinação cristã conservadora. Sempre tive professor(a) que fazia a turma rezar Pai Nosso e Ave Maria antes do início da aula(...)
Esse é um assunto que eu ia trazer no primeiro post que fiz, mas acabei não fazendo.

Se o professor está trazendo valores que eu concordo então são "bons constumes", mas se ele está trazendo valores que discordo é "doutrinação"? Aí complica porque fica o pressuposto de que há uma única forma de pensar e agir e essa é a que o governo quer que seja. Um tanto "comunista" isso aí, não?
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Mensagem por WHead em Qui Ago 29, 2019 8:07 am

"Um homem aponta o céu. O tolo olha o dedo, O sábio vê a lua." (pseudo provérbio chinês)

Amigos, primeiramente quero parabenizar e agradecer a todos pelo tom cordial e respeitoso das opiniões compartilhadas nesse tópico. Minha intenção foi apenas trazer esse tema à luz e discutirmos, se possível até enxergarmos onde estão os exageros e onde se escondem os interesses por trás da questão. Ao ler o artigo do professor Nilton Mullet Pereira senti que ele retrata muito bem a atual crise em que vivemos: num país em que ansiamos por educação, olhamos para os educadores como inimigos. O "animal político" que somos é ignorado porque dele discordamos - ou com ele concordamos. Opinamos sobre tudo e desconhecemos aquilo sobre o que opinamos, tal qual Platão nos advertiu. Dos jesuítas aos professores, toda educação é ideológica (até a que se diz neutra). Deixei alguns links que explicitam essa relação e estou aberto à referências que confirmem ou não tais colocações. Enfim, o importante é não nos perdermos diante das narrativas fantásticas e guiarmo-nos por fatos observáveis e comprováveis, sempre em busca do aperfeiçoamento e com cordialidade. Abraço a todos.
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Mensagem por Fernando Zadá em Qui Ago 29, 2019 10:46 am

WHead escreveu: Dos jesuítas aos professores, toda educação é ideológica (até a que se diz neutra). .

Concordo plenamente.
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Mensagem por Fernando Zadá em Qui Ago 29, 2019 10:51 am

Mauricio Luiz Bertola escreveu:
Fernando Zadá escreveu:Por essa e outras que prefiro que manter afastado desse tipo de tópicos....
Porque?

As discussões são saudáveis mas levam a gente a gastar um tempo absurdo que atualmente não disponho e tem muitas coisas a se considerar para dar uma resposta coerente que seria mais fácil gravar um áudio! kkkkk
Até porque acho a interpretação mais fácil de não gerar mal entendidos quando a pessoa te ouve falando.
Eu por conhecer alguns dessa geração mais jovens formados na Usp posso afirmar que alguns podem até não ser mas gostariam e fazem de tudo para tentar ser. Pelo menos os 3 ou 4 que conheço....
E isso me assusta um pouco. Não por lenda ou bla bla bla mas por ser testemunha ocular e auditiva.
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O professor de História é um doutrinador? Empty Re: O professor de História é um doutrinador?

Mensagem por Ivanov_br em Qui Ago 29, 2019 11:00 am

^ Zada, eu te entendo. Estes tópicos são time consuming. Mas não deixe de contribuir. Sua percepção, assim como a de qualquer um é valida. Mas igualmente passível de discussão, problematização ou mesmo avaliação. Os casos que você testemunhou deve ser um caso de doutrinação, pois sim a posição de professor pode permitir isso. Talvez no caso que vc descreveu tenha ocorrido uma quebra de ética profissional. E claro, o professor não é nenhum santo que nunca erra ou mesmo um ente incorrigível. Professores vacilam sim. E cabe a uma coordenação coerente, reorienta-lo profissionalmente dentro do que é esperado na linha pedagógica da escola. E isto não o impede a trazer assuntos contemporâneos, contextualiza-los e até dar sua opiniao. Isso faz parte da pratica docência. Em especial nas humanidades. Mas, como tudo, existem limites. Cabe a escola definir e trabalhar isso com seu corpo docente e com os pais.
Todavia, entendo também que existe uma certa neurose coletiva hoje. E isso inclui pensar que doutrinação ideológica é pratica recorrente em escolas e universidades Brasil a fora.
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O professor de História é um doutrinador? Empty Re: O professor de História é um doutrinador?

Mensagem por Fernando Zadá em Qui Ago 29, 2019 11:19 am

Lógico é que por conhecer alguns com perfil bem esquisito eu confesso que incorri num certo preconceito mas não vejo todos assim não....
Um foi meu aluno e acabei até dispensando ele porque se deixasse cada aula ele queria discorrer sobre politica e eu não tenho a minima paciência para isso
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O professor de História é um doutrinador? Empty Re: O professor de História é um doutrinador?

Mensagem por Ivanov_br em Qui Ago 29, 2019 12:00 pm

^nem eu. Razz
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O professor de História é um doutrinador? Empty Re: O professor de História é um doutrinador?

Mensagem por rafael.buzzi.andrade em Qui Ago 29, 2019 12:22 pm

Fernando Zadá escreveu:(...)se deixasse cada aula ele queria discorrer sobre politica(...)
Ta aí um cara que realmente queria ser ouvido. Pagava aula de baixo pra poder ter alguém que ouvisse suas ideias... hehehehe
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O professor de História é um doutrinador? Empty Re: O professor de História é um doutrinador?

Mensagem por Fernando Zadá em Qui Ago 29, 2019 1:17 pm

pra priorar era de guitarra..... kkkkk
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O professor de História é um doutrinador? Empty Re: O professor de História é um doutrinador?

Mensagem por rafacar em Qui Ago 29, 2019 4:37 pm

WHead escreveu:Um dos conceitos que mais transitam numa aula de História é o de ditadura: a ditadura civil-militar no Brasil, as ditaduras do Cone Sul, a ditadura nazista e outras variações possíveis. Em uma aula sobre a ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985), não se trata de se opor opinativamente se se é contra ou a favor; não é isso que está em questão

Sempre 64... A doutrinação dos professores de história e domínio da classe sobre a narrativa fica clara pelo fato de que não se escuta nos bancos escolares ou universitários um pio sequer contra as ditaduras comunistas como a Cubana, Soviética ou Chinesa que mataram milhões de pessoas inocentes (vide "O Livro Negro do Comunismo"), pelo contrário, os respectivos ditadores são até tidos como ídolos. Todavia nutrem um ódio obsessivo ao Regime de 64 que colocou pra correr uns comunistinhas no Brasil.
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O professor de História é um doutrinador? Empty Re: O professor de História é um doutrinador?

Mensagem por WHead em Sex Ago 30, 2019 7:27 am

“O professor mais ideológico é aquele que diz que não tem ideologia."
https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/90/o-professor-mais-ideologico-e-aquele-que-diz-que-nao-tem-ideologia--avalia-especialista

Oldimar Pontes Cardoso
http://lattes.cnpq.br/9299398184463298

Oldimar Cardoso, autor de livros didáticos e formador de professores, explica por que considera importante o contato com diferentes visões de mundo em sala de aula.

Para o professor formador Oldimar Cardoso, a última versão da BNCC representa um avanço significativo em relação aos PCNs. Ele defende que houve um retrocesso entre a primeira versão e a fina, mas faz um balanço sobre o documento: “De qualquer forma, a Base consagra um modelo de ensino mais próximo do que é realizado de fato pela maioria dos professores de História, sendo, portanto, muito mais realista e coerente”, afirma. Segundo o especialista, a grande ruptura é a ênfase na “atitude historiadora” do aluno.

Veja a entrevista:

NOVA ESCOLA: A questão da ideologia nas aulas de História não aparece de forma clara na BNCC e não estava presente nos documentos anteriores. Porém, essa discussão está sendo trazida à tona, principalmente, a partir do surgimento do Movimento Escola sem Partido. É importante que o professor conheça esse debate e que se posicione?

OLDIMAR CARDOSO: O professor precisa saber que o Escola Sem Partido existe, mas na minha opinião, não há um debate sobre isso. A proposta do movimento, que pretende estabelecer deveres e punições aos educadores, é inconstitucional e ponto final. Dizer que há um debate é dar uma legitimidade jurídica que ele não tem.

É possível tratar aspectos ideológicos em sala, sem entrar em questões políticas e partidárias?

Adotar a idade dos alunos como critério para formar classes é ideologia, organizá-los em fileiras é ideologia, aulas de 50 minutos são ideologia. Não existe escola sem ideologia e é impossível que qualquer ser humano se separe de sua ideologia para fazer qualquer coisa, inclusive para dar aula.

Então, como deve ser colocada a questão da ideologia de modo livre?

Posicionar-se ideologicamente é a única atitude profissionalmente honesta que um professor pode ter. Dizer-se apartado de uma ideologia é ser intelectualmente desonesto. Ao meu ver, não há nenhum problema em um professor defender uma determinada ideologia perante os alunos, aliás, é impossível que um professor não faça isso. O professor mais ideológico é aquele que diz que não tem ideologia. O único caminho que resolve é ter uma escola pública plural, com professores contratados por concurso público e tratados com respeito pela sociedade. Uma alternativa possível é garantir que os alunos tenham contato com professores de múltiplas ideologias ao longo da escolaridade.

Para que o aluno seja estimulado a analisar as diferentes visões de mundo antes de expressar sua opinião, respeitando a diversidade, como o professor pode se posicionar?

Posicionar-se ideologicamente não significa deixar de apresentar múltiplas interpretações das fontes e análises dos historiadores aos alunos. O professor não pode ser proibido de expor sua ideologia, essa proibição, inclusive, seria inconstitucional. Mas, ao mesmo tempo, ele tem a obrigação profissional de apresentar múltiplas perspectivas. Não é muito uma questão de posicionar-se, mas de fornecer aos alunos múltiplas fontes e permitir que eles tomem contato com elas e possam interpretá-las sem depender demais da opinião do professor.

Como as atividades em classe precisam ser pensadas para estimular esse debate e para que ele permita que os alunos avancem em seus conhecimentos?

As atividades em classe precisam conter sempre múltiplas fontes. O ideal, mas nem sempre possível, é apresentar quatro fontes diferentes porque uma fonte só é vista pelos alunos, normalmente, como a detentora da verdade. Duas fontes são vistas como a certa e a errada, três são vistas como a certa, a errada e o meio termo. A partir de quatro fontes, a lógica da multiperspectividade se descortina para os alunos automaticamente, sem que o professor precise ficar fazendo discurso nesse sentido. E, claro, as aulas expositivas em que o professor narra a história aos alunos deixam de ser importantes e passam a ser substituídas por outras atividades em que os alunos sejam protagonistas.

Na sua opinião, o que precisará ser trabalhado com mais ênfase nos documentos que virão, em relação ao componente de História?

A meu ver, o próximo passo é aprofundar a ideia de que os fatos e os conceitos não são o fim, são apenas o meio para ensinar a pensar historicamente.
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