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Uma pequena ilha muito bonita

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Uma pequena ilha muito bonita Empty Uma pequena ilha muito bonita

Mensagem por Tarcísio Caetano em Sex Jun 29, 2012 9:43 pm

Ventos fortes, que sopram para o oriente, nos levam a velas soltas, singrando mares pouco conhecidos... somos levados, e nos deixamos levar, pois a expectativa do desconhecido ou de reencontrar paisagens já vistas, nos fazem olhar apenas para a frente.
Quase 30 dias ficamos navegando os mares musicais, e eis que numa noite de sexta feira, nos deparamos com “terra à vista”.
Ao raiar do dia, notamos que estávamos ao largo de uma pequena ilha, pequena mesmo. Uma leve, fria e constante brisa vinha de encontro aos nossos ouvidos...

“Carol of Harvest" é uma banda formada em 1976 na cidade de Fürth, no norte da Baviera (é o maior estado federal da Alemanha com 70.548 km2 e uma população de 12,3 milhões), tendo seu nome inspirado numa novela de Walt Whitman.
Composta por Beate Krause (na época com apenas 16 anos) nos vocais, Axel Schmierer (compositor de todas as músicas) nas guitarras, Jürgen Kolb nos teclados, Heinz Reinschlüssel no baixo e o baterista Robert Högn.

Sua música é uma mistura de progressive folk, psych folk, acid folk and progressive rock, o que dá uma mistura bastante interessante.
Podemos ouvir temas acústicos tocados por violões amplificados, algumas vezes com algum efeito, e logo após guitarras distorcidas acompanhadas por baixo, bateria e teclados.
Toda esta mistura sonora cria um clima bem interessante, e nos faz pensar do porque da banda ter suspendido suas atividades após o lançamento de seu álbum homônimo em 1978 (voltaram às atividades musicais em 2009, como o lançamento do álbum “Ty i já”, agora como um duo, cantando em polonês)
Muito foi dito sobre isto, e provavelmente, a falta de interesse no álbum por parte do público, tenha sido um fator primordial. A título de curiosidade, foram prensadas apenas 200 cópias na época, e mais recentemente no e-bay, uma destas foi arrematada por mais de US$2,700.

Inicialmente, o álbum foi lançado com 5 músicas, e em uma “configuração” interessante, pois temos as de números ímpares, onde são utilizados guitarras, teclados, baixo e bateria, e as de números pares, onde as composições são mais acústicas.
A voz de Krause é bonita, quase sem sotaque, um pouco áspera às vezes, mas é de se admirar para uma cantora de 16 anos. Alguns a comparam com Annie Haslam do Renaissance, mas é forçar a barra demais, pois a voz de Annie é incomparável, dentro do âmbito das vozes femininas no meio progressivo.
A guitarra de Schmierer, por vezes melancólica, traz melodias bem características do progressivo e solos muito bonitos, aliados a uma “simplicidade sonora” cativante.
Kolb, Reinschlüssel e Högn, cumprem seus papéis com eficiência, criando o clima necessário para os solos de Schmierer ou para a voz de Krause.
Vamos, então, ao que interessa – as músicas do álbum:



Uma das músicas progressivas mais bonitas que conheço e tive o prazer de ouvir.
A voz de Krause é lindíssima, os instrumentos são bem executados, trazendo toda a expressão do chamado “Rock Progressivo”. Com mudanças de tema dentro da música, fica impossível cair na monotonia. Destaque para os teclados de Jürgen Kolb, que me fez lembrar outra banda alemã - Eloy.
Apesar de desconhecidos (não consegui achar nenhum dado destes dois músicos), a “cozinha” funcionou muito bem. Particularmente, gostei muito do trabalho de Reinschlüssel no baixo.

Schmierer, que é o compositor de todas as faixas deste álbum, disse em uma entrevista recente, que se inspirou para escrever esta canção em fotos de guerra, que retratava a morte e o sofrimento das pessoas.

A letra:

Put on Your Nightcap Lyrics

War has begun
See them hide see them run
War has begun
See the graves of foreign sons

Close to the edge of the world
Close to the edge of the world

Soldier of death
Never fight never rest
Soldier of death
Fight in here on in the West

Close to the edge of the world
Close to the edge of the world

Creatures of God
You have never understood
Creatures of God
You have never taken they look (???)

Close to the edge of the world
Close to the edge of the world

Who can decide
When to live when to die
Who can decide
When is love when is fight

Close to the edge of the world
Close to the edge of the world

Put on your nightcap
Let's go to bed

Fill out your own room
And don't get mad

Just behind the endless field
Lies a land called "lie"
Always green and always mild
There you can be you own guy

Sleep and close your eyes again
Dreams come up your mind
Leave the damned reality
In ways you are always signed

Dream encovers all the Earth
Love lies in the ground
Time has vanished nothing's worth
A Glory-Land Nowhere-Land

I'm living in a requiem of flaming history
I never got a peaceful start behind this [carvery]
I never got to rise my head and don't feel agony

Just behind the endless field
Lies a land called "lie"
Always green and always mild
There you can be you own guy

Sleep and close your eyes again
Dreams come up your mind
Leave the damned reality
In ways you are always signed



Lindo tema acústico. Uma canção de amor, junto com “Somewhere at the end of the rainbow”.



Outro tema acústico, que junto com “You and me” dão o clima folk ao álbum.
Mas nem por isto, menos inspirada e inspiradora.



“Try a little bit”, supreende ao trazer-nos um clima mais “pesado” ao som progressivo da banda, notadamente os trabalhos de Reinschlüssel e Högn – baixo e bateria, respectivamente – junto aos teclados de Kölb, que mais uma vez, traz à minha memória o som da banda Eloy (mais precisamente o álbum “Power and the passion”), mas com a beleza da voz de Krause.
Krautrock?!

As três últimas faixas foram lançadas em uma reedição, como faixas bônus. Em minha opinião, destoam um pouco do álbum propriamente dito, a não ser a última faixa, carregada de um “ar psicodélico progressivo”, apesar de parecer ser um excerto de uma canção maior.

Zarpamos pela manhã do nono dia, após explorarmos a pequena ilhota, que nos trouxe muita diversão e emoção.
O vento, que até então era apenas uma brisa, vai tornando-se mais e mais forte e nos impulsiona para o mar aberto – aberto em oportunidades incontáveis...o que nos reservará o horizonte?

PS em 06.2020: Como alguns vídeos já não são encontrados, posto aqui o link do álbum completo, e rezo aos céus que ele não seja retirado.



Última edição por Tarcísio Caetano em Seg Jun 08, 2020 7:40 pm, editado 5 vez(es)
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Mensagem por Cantão em Sex Jun 29, 2012 10:19 pm

Detonou Tarcísião...... claps
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Mensagem por siodoni em Sex Jun 29, 2012 10:23 pm

Caramba, não conhecia essa banda.
Valeu a indicação Tarcisio.
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http://www.leso.com.br

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Mensagem por Tarcísio Caetano em Seg Jun 08, 2020 7:45 pm

Atualizado em 08/06/2020.
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